Documentários

Documentário: Sobre Noiz

É raro passar pelo Canal Brasil, mais raro ainda é ficar por ele para conferir o que está passando. Mas eis que uma boa surpresa me levou a descobrir o documentário Sobre Noiz e conferir até o final.

Sobre Noiz (2016)

Dirigido por: Emicida, Evandro Fióti

Duração: 1h 10min
Gênero: Documentário
País de origem: Brasil

Sinopse: Durante a produção de seu álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”o rapper e ativista Emicida visitou diversas comunidades para criar um panorama da realidade dos jovens que convivem fora dos padrões das classes mais altas.

Imersão profunda no universo do álbum, o vídeo registra toda a sua concepção,  desde os primeiros rascunhos de letras até a viagem que se tornou o pano de fundo da obra.

Com narração do próprio músico, “Sobre Noiz” mostra os preparativos para a viagem, ainda no Brasil, chegando até a África, com imagens das gravações com músicos locais em Praia, Cabo Verde, e de Emicida nas ruas de Luanda.

Na medida em que “Sobre Crianças…” vai tomando forma, reflexões do músico sobre o rap e a música brasileira em geral são intercaladas com questões políticas e sociais dos países africanos por onde ele passou.


Escrivinhando sobre o documentário:

Mesmo não sendo um ritmo que costuma constar na minha playlist, o documentário é maior que apenas o estilo ou ritmo musical. Ele tem uma voz própria, sobre identidade, descoberta e respeito. E como se já não fosse beleza o suficiente presenciar a criação de álbum tão bonito e com mensagens tão fortes, as imagens são extremamente de bom gosto.

Um ar intimista, divertido e que permite uma imersão. Fala com quem está do outro lado, chama para conhecer ainda mais o trabalho do Emicida como um todo, dando além de voz, personalidade e ainda mais carisma.

Quem disse que a simplicidade não basta? Que é preciso milhares de paranauês para ser algo que prenda e cative o olhar? Nesse Doc eu fui pega pela simplicidade e pela simpatia, pedindo licença para entrar e conhecer a casa, a música e a criatividade. Não precisa ser fã de Rap, basta ser apaixonado por música e poesia para se sentir bem vindo e receber o abraço sonoro dessa trilha linda que ele criou.

Para mais informações vou deixar o link do Site do Lab Fantasma, site oficial com informações do documentário. E depois do trailer, você confere uma playlist com as músicas do álbum do Emicida.

Espero que gostem, que se permitam e que compartilhem.

Deixe um comentário com a sua opinião, dica ou bronquinha… estamos aqui para compartilhar idéas e o que mais vier.

 


Trailer:

 

Playlist Emicida –  álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”

 

Sob o encanto de Marilyn Monroe

Uma pausa para falar, ver e pensar um pouco em Marilyn Monroe. Seja como personagem de si mesma, reinterpretada em um filme de memórias, um documentário ou mesmo na lembrança que sua imagem pode provocar.

Uma força maior do que ela talvez pudesse imaginar, mas que provavelmente faria parte do seu plano. Mais que a loira de corpo escultural e com grande apelo sexual, mais que a garota que sonhava em ser artista. Um pouco dos dois, se me permitir, mas ainda com um toque etéreo que marcou sua passagem.

Vamos conversar sobre ela…

Sete Dias Com Marilyn

Título original: My Week with Marilyn (2011)

Dirigido por: Simon Curtis

Duração: 1h 41min
Gênero: Drama/Ficção histórica
País de origem: EUA e Reino Unido
Classificação: 12 anos

Sinopse: A musa Marilyn Monroe está em Londres pela primeira vez para filmar “O príncipe encantado”. Colin Clark, o jovem assistente do prestigiado cineasta e ator Laurence Olivier, sonha apenas em se tornar um diretor de cinema, mas logo viverá um romance com a mulher mais sexy do mundo. O que começa como uma aventura amorosa mudará a vida do ainda inocente Colin e revelará uma das várias facetas de um dos maiores mitos do século XX.

*Está disponível no catálogo da Netflix


Escrivinhando sobre o filme:

A reconstrução de cenários, figurinos e mesmo o casting do filme são tão bem feitos, bem detalhados que me deixaram boquiaberta. E sem falar que Michelle Williams, mesmo não sendo tão parecida fisicamente, encarnou de tal forma a Marilyn que convence sem sombra de dúvidas. Tanto quando apresenta a personagem Marilyn Monroe que o público conhecia, quanto quando mostra um lado íntimo e vulnerável que só imaginamos a partir dos diários e cartas que vieram a público anos após sua morte.

Em entrevistas vi a Michelle Williams falando sobre essa liberdade de criar a figura, a voz da Marilyn nos seus momentos íntimos, já que a Marilyn que nós conhecemos é uma personagem estudada e criada. Achei muito interessante, esse conceito e essa liberdade que houve no filme, tão bem executado por Michelle que é crível e transborda realidade. Eu pude imaginar a Marilyn das angústias e dúvidas mil que descrevia em seus diários a falta de amor, a jovem tomada pela solidão que não conseguia se sentir completa ou realmente admirada. Tendo visto alguns documentários sobre ela e sua trajetória, fiquei encantada pelo trabalho neste filme para humanizar a garota que foi endeusada.

Além da aura que rodeava a atriz, o filme relata os problemas já conhecidos de sua rotina durante as gravações, e como as suas angústias refletiam em suas atuações. Linda e frágil se tornava cada vez mais vulnerável ao se fechar cada vez mais.

Trailer do filme:


Além deste filme, o filme/documentário Love, Marilyn é outra obra que é muito boa para se aprofundar ainda mais no universo e conhecer um pouco mais desta personagem que que povoa até os dias de hoje o imaginário e a curiosidade das pessoas.

Love, Marilyn

Dirigido por: Liz Garbus

Duração: 1h 47min
Gênero: Documentário, Filme Biográfico

Sinopse: 50 anos após sua morte, duas caixas com documentos, diários, poemas e cartas escritas por Marilyn Monroe foram encontradas. As anotações pessoais desta icônica diva do cinema mostra um novo lado da atriz, perseverante e estudiosa, que tornou-se prisioneira da própria personagem que criou. Conta com depoimentos e leituras de grandes nomes de Hollywood.

Trailer Documentário:


 

Documentário: AMY

Eu não conhecia muito da carreira ou vida conturbada de Amy, pelo menos nada muito além do que estava constantemente estampado em  manchetes ou programas de fofoca com as fotos que anunciavam um possível fim trágico de uma jovem e talentosa artista.  Justamente pelo grande furdúncio após sua morte, eu evitei por um tempo ver documentários póstumos até por que eles pareciam mais se tratar de oportunismo do que outra coisa.amy2

Com a chegada do documentário ao Netflix, eu deixei de procrastinar e finalmente fui assistir. Daí a procrastinação ficou para escrever, já que leva um tempo para digerir um pouco como nós (generalizando total e completamente) nos alimentamos das imagens e das piores histórias das outras pessoas e essa nossa mania de consumir desgraça e regojizar do drama e tristeza alheia – sei que tudo isso forma um mesmo bloco de coisas… Mas AMY traz um relato muito bem estruturado e muito delicado de como era a Amy que não conhecemos e como o mundo mudou para ela por conta do sucesso.

Construído com a narrativa de suas letras (mais…)

Documentário – India’s Daughter

Além de suspenses e comédias, ou aquele terror trash que é ruim mas adoramos ver… Existe a necessidade de ver a seriedade das coisas, e para isso temos documentários para trazer luz a alguns assuntos que costumam ficar escondidos. Entre tantos assuntos, com tanta conversa que tenho ouvido e lido sobre gênero e de que como mesmo em pleno 2015/2016 estamos à mercê de conceitos tão absurdos e machistas, resolvi criar coragem e finalmente ver o documentário India’s Daughter. Digo “criar coragem”, pois apesar de já ter visto sobre o caso nos noticiários, mas devido à brutalidade do caso eu estava receosa de assistir por conta da abordagem, mas fui surpreendida. Sim, é forte e de cortar o coração quando são relatados os detalhes do que aconteceu.

Ao conhecer os pais da jovem Jyoti Singh já me senti arrebatada de uma dor e um sentimento que não sei nomear. A superação desta família desde a criação e empoderação desta jovem estudante de medicina que ousou sonhar, e pais que abriram mão de conceitos tradicionais e investiram no estudo e na futura carreira de uma filha mesmo quando outros diziam que era absurdo. Ver a comoção que o caso teve e de como a cultura local é tão contraditória quando diz que a mulher é como uma flor e quase a coloca em um pedestal e ao mesmo tempo desumaniza e desvaloriza a imagem da mulher como sendo inferior ao homem em tantos sentidos. Ouvir dos próprios advogados – pessoas estudadas que têm o conhecimento da lei – que a mulher é tão ou mais culpada pelo estupro que o homem. Que as mulheres se deixam levar pelos filmes e pensam que podem fazer coisas que elas não podem, pois a cultura deles está correta e as mulheres não têm espaço. Ver e ouvir isso choca, assim como o fato dos culpados não demonstrarem nenhum remorso, e ainda que eles estavam ensinando uma lição para que ela aprendesse seu lugar e que deveria ter aceitado e se mantido em silêncio. (mais…)

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