Documentário: AMY

Eu não conhecia muito da carreira ou vida conturbada de Amy, pelo menos nada muito além do que estava constantemente estampado em  manchetes ou programas de fofoca com as fotos que anunciavam um possível fim trágico de uma jovem e talentosa artista.  Justamente pelo grande furdúncio após sua morte, eu evitei por um tempo ver documentários póstumos até por que eles pareciam mais se tratar de oportunismo do que outra coisa.amy2

Com a chegada do documentário ao Netflix, eu deixei de procrastinar e finalmente fui assistir. Daí a procrastinação ficou para escrever, já que leva um tempo para digerir um pouco como nós (generalizando total e completamente) nos alimentamos das imagens e das piores histórias das outras pessoas e essa nossa mania de consumir desgraça e regojizar do drama e tristeza alheia – sei que tudo isso forma um mesmo bloco de coisas… Mas AMY traz um relato muito bem estruturado e muito delicado de como era a Amy que não conhecemos e como o mundo mudou para ela por conta do sucesso.

Construído com a narrativa de suas letras autobiográficas e vídeos de acervos pessoais, depoimentos de amigos e familiares. Conhecendo a jovem Amy com sua simplicidade e talento visíveis, uma garota que tinha um estilo diferente e que gritava autenticidade. Humanizamos a imagem da artista problemática e como ela se auto-sabotou. É triste de ver, mas ao mesmo tempo é real, nos mostra o que tão comumente acontece entre nossos meios sociais – a perda para o vício. E em relação à história alheia, como sabemos pouco quando somos expectadores, e como cobramos muito.

Sendo fã ou não, vale assistir. E a história dela me fez pensar em tantas outras personas que “conhecemos” pela grande mídia e de como falamos, julgamos e cobramos quando algo acontece sem nem ao menos saber o background dos fatos. Digamos que depois de ver o documentário, penso duas ou mais vezes antes de fazer qualquer comentário sobre algum bafafá que venha a surdir na mídia, afinal as pessoas tem lá seus motivos e problemas para cada coisas.

Imagens tocantes, depoimentos de cortar o coração e uma reflexão sobre o que seria de Amy se ela tivesse se deixado ajudar e de como ela encantou a muitos tentando ser a garota intensa que era. Alguns pontos que me fizeram chorar foram a relação dela com pai, parecendo afetiva apenas por ela enquanto que por parte do pai parecia se tratar mais negócios; os relato emocionado de uma amiga sobre as mudanças por conta do vício e a tentativa de ajudar a amiga; e Tony Bennett falando sobre Amy e a frase dele ao final do documentário.

Ela trouxe um frescor para o cenário musical, mas o mundo não estava pronto para Amy muito menos ela para esse mundo. Nos resta repensar em como consumimos não só a arte, mas o artista que digerimos sem consciência de sua existência como pessoa além da imagem.

Deixe seu comentário

%d blogueiros gostam disto: