Ele está de volta (filme)

Um filme que traz um estranhamento pela linguagem a princípio. A mistura de ficção com partes de entrevistas em um quase documentário de um povo e suas posições sobre os questões atuais e recorrentes. Não é algo novo ou inédito, lembrou um pouco a linguagem do Borat, por exemplo, mas com diferenças. Mas é realmente atordoante ver algumas posturas das pessoas entrevistadas em relação ao “personagem” Hitler. em vários momentos eu me questionei como aquela imagem não era vista como algo absurdo e impensável, e de que forma era possível rir ou sequer achar graça daquela figura.

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Sinopse:

Baseado no livro de mesmo título, Adolf Hitler acorda em um terreno baldio em Berlin, no ano de 2011, sem memória alguma do que aconteceu depois de 1945. Perdido, ele se vê em uma sociedade completamente diferente, onde não há partido nazista, a guerra e o país é governado por uma mulher. Ele é reconhecido pelas pessoas que acreditam que seja apenas um artista que não consegue sair do seu personagem. Mas, um discurso de Hitler é viralizado na internet, e a partir daí todos querem ouvi-lo, saber sobre ele, até que ganha um programa de televisão onde propaga suas ideias ao mesmo tempo em que tenta convercer a todos que ele é quem realmente diz ser.

Enquanto assistia e notava que as pessoas ao meu redor se divertiam, eu me sentia incomodada e extremamente desconfortável e questionava as reações, chegando a sentir um desconforto físico tamanha era a tensão de ouvir e presenciar pessoas que ainda compactuam com aqueles absurdos propagados e ver que estamos voltando ou que nem mesmo nos afastamos daquele período mais obscuro da história. Com a possível diferença de que hoje os preconceitos são mais velados sob a sombra e a desculpa de uma opinião (que serve de disfarce para a cultura de intolerância e ódio).

E levando em conta que era essa a intenção do filme, ele cumpre sua premissa de forma eficaz, trazendo reflexões importantes nesse momento que vivemos e que tendemos a repetir erros atrozes do passado. Vemos o mundo, ou sociedade, passar por crises estruturais seja na economia, política de “ismos” e discursos de intolerância religiosa, de gênero, sexual, ideológica ou tantas outras. As mesmas condições, historicamente, que permitiram/possibilitaram ideologias de segregação e extermínios.

Um filme que ajuda a entender e serve como um alerta para perceber  que a imagem catalisadora de Hitler é só um ícone, mas que se não cuidarmos e deixarmos de que ela seja alimentada, mesmo que minimamente, dentro de nós vai continuar existindo um pouco de um monstro adormecido que foi apenas um único homem que cometeu atrocidades, mas um povo que se identifica com seus monstros interiores.

Apesar do possível estranhamento e do provável desconforto, eu realmente recomendo. Vale para refletir e repensar algumas posturas que temos e presenciamos. Está disponível no Netflix e também tem a versão em livro. Fica a sugestão.

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